Acoustic Sundays vol. 2, de Marcus Manzoni

O santiaguense Marcus Manzoni figura, com certeza, como um dos artistas mais interessantes da cena indie atual no RS. Além disso, toca o barco de um dos selos independentes mais importantes do Estado, o Ué Discos. Seu projeto Acoustic Sundays (todo domingo uma música inédita em formato acústico) rendeu dois de seus três álbuns: Acoustic Sundays vol. 1 (Ué Discos, 2015), com 15 canções, e Acoustic Sundays vol. 2 (Ué Discos, 2016), com 14 canções.

Sou fã confesso desse projeto do Marcus; tenho um carinho especial pelo Acoustic Sundays Vol. 2 (dá play aí embaixo). A qualidade de gravação, o esmero na composição, o investimento nas melodias vocais, os arranjos, enfim, todos esses aspectos dialogam com inúmeras influências e acabam singularizando o trabalho desse cantautor santiaguense.

capa-acoustic-sundays-vol-2

Os destaques do álbum ficam por conta de Cure, a poesia em violão nylon de Zás, a leveza de Me abraça, e as minhas favoritas Ar e Esquinas. Essa última, inclusive, é radiofonicamente e indiscutivelmente hit. Recado para quem ainda não ouviu: não dá pra ficar mais nem um dia sem conhecer o trabalho do Marcus Manzoni.

O Vinilzera conversou com o Marcus e ele nos contou, entre outras coisas, seus planos pro ano que vem. Confira abaixo:

Primeiramente, valeu por essa entrevista. Sou fã do teu trabalho já há algum tempo e às vezes fico me perguntando “como é que esse cara tá fazendo esse som em Santiago?” (risos). Então, mais para matar a curiosidade, como é ser produtor musical e compositor independente numa cidade “fora do eixo”?

Eu que agradeço a oportunidade e a consideração. Pra mim é sempre uma honra receber algumas perguntas para responder, ainda mais quando elas vêm de pessoas envolvidas no meio musical dos grandes centros do país. Esse tipo de interesse valoriza e justifica o trabalho que venho realizando ao longo dos últimos 10 anos no interior do estado, que justamente por estar “fora do eixo” é sempre um esforço dobrado. A internet veio no começo do século como agente catalisador do compartilhamento de informação e conhecimento, isso foi excelente para artistas independentes como eu, hoje podemos atingir nosso público desde qualquer lugar, ainda que mediadores como a imprensa, gravadoras e rádios continuem exercendo um papel de grande relevância. Aliás, entendo que conseguir espaço nos principais veículos de informação é o principal ponto negativo para quem produz no interior.

Todo artista tem seus momentos de bloqueio, de falta de inspiração. Como tu lida com isso? De todas as tuas composições, qual foi a mais difícil? Por quê?

Esses “momentos de bloqueio” que tu mencionou, eu prefiro chamar de “indisposição”. Quando eu não quero compor, vou fazer outra coisa que eu tenha vontade. Quando estou disposto a escrever e a compor, o faço sem problemas, porque depois de tantos anos fazendo isso, a criação/composição se tornou uma atividade que já faz parte do meu cotidiano.

Ouvindo teu trabalho, a gente sente um gap de estilo entre os teus álbuns. O que mudou no Marcus Manzoni do álbum 2 anos depois para o Marcus Manzoni do Acoustic Sundays vol. 1 e vol. 2?

Eu sou um ser humano como qualquer outro, todos somos vastos e inconstantes. Hoje quero sair com meus amigos, amanhã não vou sair do quarto. Hoje vou assistir um filme de suspense, amanhã um de comédia. Veja bem, do meu primeiro álbum “2 Anos Depois” (2013) até o último “Acoustic Sundays, Vol. 2”(2016) já se passaram mais de 3 anos. Nesse tempo, eu quis muitas coisas, fiz tantas outras, ouvi inúmeras músicas, viajei para vários lugares, conheci diversas pessoas, adquiri conhecimentos novos, enfim… eu vivi, e por estar vivo, hoje e sempre, estarei mudando.

Tu tem composições que são ótimas trilhas sonoras (Esquinas e Jardim Campestre estão entre as minhas favoritas). Como tu te sente quando uma pessoa te diz “Marcus, essa é a música da minha vida”? Tu te preocupa, de alguma forma, em compor visando um interlocutor ou teu processo de composição é mais subjetivo?

Eu ainda não sei lidar com isso. Recebo depoimentos desse tipo quase diariamente, via e-mail, redes sociais, na rua ou nos meus shows, e eu me emociono fortemente. Sinto-me muito honrado e muito feliz por poder levar boas energias a todas essas pessoas através da música, pois meu processo é totalmente subjetivo, não viso um interlocutor quando componho.

Bandas brasileiras para acompanhar em 2017? Tem ouvido algo do interior do RS? O que tá na tua playlist ultimamente?

Sem dúvidas, tem muitas bandas boas rolando no Brasil para acompanharmos em 2017, indico minhas preferidas: Fantomaticos, Bilhão, Trem Fantasma, Lupe de Lupe, Quarto Negro, Hovel, Bombo Larai e Supervão.

A música do interior do estado é magnífica, vocês precisam conhecer, adoro e admiro demais, tipo Decoders, Aerogramas, Voxez, Bidu Silas, San Diego, Caro Antônio, Orlando Garcia, Cuscobayo, Cafeína Cítrica, The Taciturn Thing, Mindgarden, Chà de Flor, Cattarse, Paquetá e Furia, essas são as que rolam sempre aqui no meu som.

Quais são os planos do artista Marcus Manzoni e da Ué Discos para 2017?

2017 será um ano bastante movimentado pra mim, vou começar o ano lançando um EP, na sequência já devo começar o “Acoustic Sundays, Vol. 3”. Teremos música!

A Ué Discos nunca pára, temos dois lançamentos agora em novembro e mais dois em dezembro, e logo após a virada do ano apresentaremos o primeiro álbum do Matungo, cantor e compositor de Porto Alegre, vocalista da Bombo Larai. Eu gostaria de poder falar mais, mas será mais um ano maravilhoso para o nosso selo, que a cada ano que passa está mais e mais consistente.

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