The Party, de Andy Shauf

Foi apenas em 2015 que eu ouvi falar pela primeira vez do canadense Andy Shauf. Talvez por ter assinado com o selo independente californiano ANTI- Records – o mesmo que distribui os releases da Wilco – e lançado a canção agridoce Jenny Come Home, a qual entrou para o TOP 20 da canadense CBC Radio 2. O fato é que Andy Shauf era um cara pra se acompanhar. Dito e feito: esse ano ele lançou uma obra-prima, o álbum The Party (2016, ANTI-).

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O disco é uma mistura de leveza, doçura, tristeza e acidez. Tudo na mesma barca e ao mesmo tempo. The Magician abre o disco com uma guitarra leve, um piano bem marcado e strings fazendo a “cama” da canção, lembrando um pouco do soft rock americano dos anos 70 como America e Bread.

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Comentário no vídeo de The Magician, no Youtube.

Aviso: algumas rápidas passagens de clarinete podem tocar almas mais desatentas.

Early to the Party, segunda faixa do álbum, lembra DEMAIS o clima Dark Side of The Moon e só por trabalhar com essas referências, direta ou indiretamente, já fica mais que recomendada. Na verdade, o álbum parece realmente construído com base nessas referências afetivas como, por exemplo, o teu álbum favorito, uma lembrança boa da infância, um pôr-do-sol na beira do mar (pieguice). Soa, portanto, com uma familiaridade inédita. “Já ouvi isso em algum lugar”, e a gente fica procurando correspondências. Soa como um clássico.

Twist your ankle me lembra muito da primeira fase da carreira solo do Paul McCartney (ouvir Uncle Albert do álbum Ram (1971)) e tem um dos melhores do-do-dos do álbum.

Quite like you é, em termos de melodia, um dia de verão na beira da piscina, churrasquinho e drinks. A letra, no entanto, é de uma tristeza ímpar. Fala sobre um cara que gosta da namorada do amigo, o qual só faz merda. Eles estão numa festa e o amigo está chapado e a menina num canto chorando. Ele e a menina conversam e ela diz que nunca conheceu ninguém como ele. Ele responde da mesma maneira e leva a mão de encontro à mão dela. Nesse momento, o namorado-amigo chega e para a surpresa do narrador, a menina coloca o braço em volta do namorado. Soa o último acorde, fecham-se as cortinas.

Andy Shauf, como resume o comentário abaixo, é o tipo de artista que te dá o que você não sabia que estava faltando. As letras são tão reais e tão fáceis de se identificar que incomodam, mas as melodias te consolam.

 

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Comentário no vídeo de Quite Like You.

Begin Again prepara o terreno para o hit do álbum: The Worst in You. Sério, The Worst in You é uma canção que todo mundo deveria conhecer. A guitarra desenhando a melodia vocal, as seis sílabas-notas do verso que antecedem a progressão estranha do fim de cada verso, o refrão marcado pelas duas batidas no bumbo e no baixo. O problema é tirar da cabeça depois. Além disso, tem um clipe ótimo (abaixo) feito pelo canadense Winston Hacking (que também assina o clipe de The Magician).

To You é, talvez, minha preferida. Acho que o que me pegou foi a progressão da introdução (as três notinhas em escala ascendente) que se repete ao final de cada verso. Eyes of Them All é uma viagem anos 80 com os strings e a guitarrinha clean. A melhor linha de baixo é da música Alexander All Alone que, pela progressão de acordes, difere um pouco do resto e soa até grunge, num primeiro momento. O groove vem depois com o baixo e a bateria. O destaque fica para a ótima ponte verso-refrão.

O disco encerra com a canção Martha Sways, que começa com um violão com um timbre daqueles que dá um afago nos ouvidos. O som é complementado por violino e cello (eu acho), que vez ou outra escapam do campo harmônico e dão aquela desacomodada no ouvinte. A canção ainda conta com uma citação (intencional ou não) à canção Transmission da Joy Division no verso

“and dance, dance to the radio while the devil takes control”

O disco termina com a leveza nostálgica da estrofe abaixo:

Martha spins
and I catch her hand
she smiles and laughs
bringing me back

Enfim, quer resumir o álbum em uma palavra? Um usuário do YouTube conseguiu:

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Escuta aí abaixo e se comprar o vinil ($20), encomenda um pra mim também!

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