[In], de Erick Endres

Erick Endres é um músico e compositor de mão cheia. Filho do guitarrista de uma das maiores bandas do Rio Grande do Sul, o Erick faz música diferente da maioria das bandas da capital gaúcha. As influências são de outra variedade, vão além do rock gaúcho e do que chamo aqui, por falta de rótulo melhor, da nova canção porto alegrense, representada por artistas MPB/Rock como Apanhador Só e Ian Ramil. É tudo isso mas também não é. O Erick é um músico com bastante estrada, apesar da idade. Já gravou DVD e tocou no Planeta Atlântida com a Comunidade Nin-Jitsu, já tocou no Lollapalooza e no MECA Festival com a sua outra banda, Dis Moi (a qual conta também com Bela Leindecker nos vocais, Lourenço Marques no baixo e Pedro Poffo na bateria), entre outras coisas.

Nem bem terminou Novembro e já podemos assegurar que o EP [In] (Loop Discos, 2016), lançado dia 11/11, é uma das melhores coisas produzidas no mês. [In] é o segundo álbum de uma trilogia planejada por Erick. O primeiro, [falling] (Loop Discos, 2016), lançado em Agosto, pode ser ouvido aqui:

Bom, falemos um pouco sobre o [In]. O álbum tem influências bem marcadas e valeria pra mim só por uma canção: Don’t Feel Shy. Pra nossa sorte, temos mais três canções no EP.

eric

Blinded Eyes, faixa de abertura, tem um dos refrões mais marcantes do álbum. O vocal nos versos me lembrou algumas músicas da Arcade Fire e, por isso, eu curti. O que é interessante do álbum é que, embora todo o investimento em sintetizadores e arpejadores, a guitarra é o instrumento que molda as canções. Don’t Feel Shy me parece a canção mais pronta pra fazer sucesso. A linha de guitarra é ótima; a cadência e a marcação de contratempos realçam a melodia e não descaracterizam em nada a atmosfera pop da faixa. A progressão ascendente e muito melódica do refrão reforça o lugar de destaque da canção. De quebra, o refrão manda uma mensagem bem legal: “Free yourself, listen to your heart. Don’t be shy. Tell me what you feel”.

Don’t Think I’m Crazy é a mais groovera do disco. Bem marcante a linha de guitarra desenhando a melodia vocal. O Erick ainda manda um scat na retomada do refrão para o verso. Bem massa! O álbum fecha com Moon Path, uma balada bonita que, numa primeira audição, me lembrou do saudoso músico gaúcho Yoñlu. Dá play aí abaixo pra escutar o [In]:

O Vinilzera trocou uma ideia com o Erick. Confere aí:

V: Como tu vê a cena independente de PoA? Como tu avalia tua música nesse contexto?

Eu acho a cena independente de PoA riquíssima em conteúdo. Pobríssima em ser uma cena de fato. Tem potencial, mas temos muitos empecilhos; como ter pouco lugar pra tocar, as pessoas parecem que tem medo de ir assistir algo novo. Com isso as bandas e os músicos ficam meio afastados um dos outros, não se ajudam e/ou precisam de muito esforço pra isso. Porto alegre já foi melhor, mas eu acredito na rapaziada. haha

V: Como tu lida com as comparações com guitarristas renomados tipo o Frusciante?

Eu não posso dizer que não foi provavelmente um dos guitarristas que mais me influenciou durante o período em que eu tava aprendendo a tocar e praticando mais. Acho natural, mas rola uma forçação. Às vezes o som não tem absolutamente nada a ver com Red Hot ou Frusciante mas o timbre é parecido, sei lá… Bom, desculpa por também gostar de Fender Strato. hahaha.

– Agora no [In] tu flerta muito mais com música eletrônica/sintetizadores/etc do que na primeira parte dessa trilogia que tu montou. Com 19 anos, tu consegue incorporar uma diversidade de influências que deixam a gente ansioso para ver teus próximos trabalhos. Pro próximo EP, o que podemos esperar?

Isso é algo que sempre esteve aqui, meu primeiro disco, por sinal, é quase todo com drum machines e uma boa dose de sintetizadores e arpejadores. Mas comecei a explorar mais ainda no último ano, ouvindo coisas diferentes do que ouvia desde criança (Sabbath, Hendrix, etc), sei lá, Blood Orange, Tame Impala… Mas bom, eu acho que os EPs vieram em ordem de ‘laço’, o próximo tem um jungle bem pesado e esquizofrênico, um progressivo bem pesado de 7 minutos, um rock com bastante groove e uma balada nem tão balada assim bem suja. Nada tão ‘pop’ quanto o IN mas sem perder a essência da sequência.

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